



Quando
desejei fugir dos compromissos
que se apresentavam,
você
me falou de responsabilidade...
Quando
pensei em mentir para um amigo,
você me falou de
fidelidade...
Quando
senti em minha alma os açoites
dos primeiros vendavais,
você me falou de flexibilidade,
e aprendi a me dobrar
para não quebrar,
como o pequeno ramo verde faz diante
dos golpes do vento.
Quando
você pressentiu em meu olhar
a insinuação da vingança,
me falou do perdão...
Quando
desejei salvar o mundo,
nos ardentes dias da juventude,
você me ensinou a moderação e o bom senso.
Quando
quis me submeter aos modismos do grupo,
você me falou de
liberdade.
Quando
me iludi, pensando que o mundo era meu,
você me falou
do Criador do Universo...
Assim,
meu pai, desejo dizer que você
sempre foi meu herói,
meu
amigo, meu grande mestre,
meu companheiro de
caminhada...
Você
foi firme, quando era de firmeza que eu precisava...
Foi
terno, quando era de ternura que eu necessitava...
Foi
lúcido, quando era de lucidez que eu precisava...
Quando
eu cheguei a este mundo,
não sabia ao certo o que
estava fazendo aqui,
até que percebi que havia alguém
para me orientar na jornada...
Hoje,
bem, hoje eu sei claramente o que estou fazendo aqui,
porque você, meu pai, fez mais que apenas me orientar,
você caminhou ao meu lado muitas vezes,
me seguiu de
perto outras tantas,
e andou à minha frente muitas
outras,
deixando rastros de luz,
como diretrizes seguras
que eu pudesse seguir.
Hoje
eu sei muito bem o papel que me
cabe na construção de
um mundo melhor,
porque isso eu aprendi com você,
meu
grande e admirado amigo...
E
quando eu vejo tantos jovens perdidos,
sem rumo e sem
esperança,
vagando entre a violência e a morte,
eu peço
a Deus por eles,
porque é bem possível que não tenham
tido a felicidade de ter um pai como você...
E
peço a Deus por você, papai, meu grande amigo.
Adriana



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